A aprovação, pela Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas sem redução salarial e põe fim à escala 6×1, na noite dessa quarta-feira (27), foi celebrada pela CUT e as demais centrais sindicais como uma conquista histórica da classe trabalhadora brasileira. Agora, o foco do movimento sindical é ampliar a pressão sobre o Senado para garantir a aprovação definitiva da proposta.
Para o presidente da CUT, Sergio Nobre, essa é uma conquista que precisa ser comemorada, mas alertou que a batalha ainda não terminou. “Agora esse projeto segue para o Senado e lá também precisa de uma maioria qualificada. O trabalho de convencimento dos senadores tem que continuar”, afirmou. A proposta precisa de 49 votos dos 81 senadores que compõem a Casa.
O dirigente também fez um alerta sobre a atuação do empresariado contra a proposta. Segundo ele, entidades patronais já atuam para barrar a medida na próxima etapa de tramitação.
“Nós não estamos sozinhos na batalha. Os empresários acamparam dentro do Congresso Nacional para tentar reverter a nossa vitória e agora estão dizendo abertamente que vão trabalhar no Senado”, disse. “A gente não pode baixar a guarda.”, destacou Sergio Nobre em uma live da CUT-DF, que reuniu dirigentes de centrais sindicais, nesta quinta-feira (28).
O Coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, o sociólogo Clemente Ganz Lúcio, avaliou que a próxima etapa da tramitação será ainda mais difícil, devido à resistência empresarial no Senado Federal. “O Senado é uma casa onde o debate será bem mais difícil e resistente, com apoio empresarial fazendo forte pressão”, afirmou.
Segundo Clemente, entidades empresariais como a CNI e federações industriais já atuam para adiar a votação da proposta para depois das eleições. “Essa é a jogada deles nesse momento”, disse.
Diante da pressão dos empresários, o presidente da CUT convocou sindicatos e trabalhadores a ampliarem a mobilização nos estados e junto aos parlamentares. “Temos que seguir na luta porque estamos muito próximos de conquistar a tão sonhada redução da jornada para 40 horas semanais e o fim da escala 6 x 1”, afirmou Sergio Nobre.
Fonte: CUT